UNESCO classifica Covilhã como uma das novas cidades criativas

Perpetuada pelo fado de Amália Rodrigues, a Covilhã é rotulada como cidade neve ou cidade montanha por ser a principal porta de entrada na Serra da Estrela, montanha mais elevada de Portugal. Localiza-se na vertente sudeste desta cadeia montanhosa e é um dos principais centros urbanos do interior português. Tornou-se conhecida pela produção de lanifícios, aliás poucos centros urbanos mundiais podem se louvar de assumir a mesma atividade econômica regular durante tanto tempo. A lã e os lanifícios estão, assim, no DNA da cidade há mais de oito séculos.

A Covilhã é herdeira de navegadores e cosmógrafos como Pêro da Covilhã, os irmãos Francisco e Ruy Faleiro ou o mestre José Vizinho, que tiveram um papel preponderante nos descobrimentos portugueses. É berço de personalidades das artes e letras como Mateus Fernandes, Eduardo Malta, Costa Camelo, Frei Heitor Pinto, Alçada Batista ou Ernesto Melo e Castro. É um museu a céu aberto de arte urbana que alberga nomes como Rodolfo Passaporte (curvilinismo, 1988), Vhils (2011 e 2013), Bordalo II (2014), Pantónio (2015) ou Bosoletti (2017).

Em todos os cantos da Covilhã impera a criatividade, que lhe confere um caráter identitário e único, onde até a orografia ímpar a torna cidade presépio. Cidade mágica, mais perto das nuvens que qualquer outra, com um passado glorioso, um futuro desenhado e um presente que se constrói de sonhos. De cultura e de saber. De audácia e imaginação. De originalidade.

Os três parágrafos acima são um pedaço do que foi apresentado em tempos de candidatura junto à UNESCO para elevar Covilhã a uma cidade criativa. O diretor-executivo do projeto é o Professor Francisco Paiva, investigador na Universidade da Beira Interior e diretor do Doutorado em Media Arts. Junto de sua equipe, projetaram um plano de ações para a cidade entre os anos de 2022-2025 e, hoje, foram reconhecidos pela UNESCO como uma das candidaturas aprovadas para integrar a Rede de Cidades Criativas.

Foram três anos de planejamento até a submissão da candidatura agora reconhecida. Covilhã passa a ser uma Cidade Criativa na área do Design, sendo a primeira em Portugal. Nesta área, foram apenas três as cidades, a nível mundial, viram confirmada a sua designação neste ano: Covilhã (Portugal), Doha (Qatar), Whanganui (New Zealand). O plano, a partir dessa confirmação, é regenerar o patrimônio e valorizar os produtos locais, especialmente os ligados aos têxteis, mas estendendo o design a outros campos criativos; estabelecer uma “cultura de design” eficaz que mude e reaja de forma holística às adversidades, como as alterações climáticas e demográficas.

Criado para a candidatura, o site Covilhã Criativa apresenta por completo a equipe, atividades já desenvolvidas e todo o plano de ação que, a partir de agora, será implementado. O projeto, segundo Paiva, está sustentado por seis pilares principais: 1. Design, Indústria e Artesanato; 2. Design Têxtil e Moda; 3. Design, Cidade, Território e Ambiente; 4. Design, Cultura e outras Artes; 5. Design e serviços digitais; e 6. Educação para o Design e Cidadania e busca transformar a Covilhã para um futuro “convergente com as metas de descarbonização e re-industrialização perspectivadas pelos novos fundos europeus, que almejam precisamente fortalecer as relações entre Ciência, Tecnologia, Arte e Cultura, paradigma em que o Design será um poderoso mediador.”

Para o Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Vítor Pereira, “esta é uma das provas do potencial da Covilhã. Enquanto culminar de um esforço coletivo, a designação oficial por parte da UNESCO reforça um caminho para novas oportunidades de crescimento e afirmação, revitaliza o passado histórico da cidade e constrói sobre ele uma inovadora visão para o futuro assente no debate comunitário, em torno dos horizontes de desenvolvimento sustentável nos campos da Arte, da Cultura, do Conhecimento e da Inovação”

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