Enoturismo na Beira Interior: uma tarde na Quinta dos Termos, o maior produtor de vinhos DOC da região

Uma das frases mais legais sobre vinho, diz que “o vinho, assim como a música, não é só para você. É para ser compartilhado”. E, seguindo esse conselho da enóloga italiana Maria Caterina Dei, é que agora vamos contar um pouco dos segredos dos maiores produtores de vinho DOC na Beira Interior: a Quinta dos Termos.

Situada na Beira Interior, os vinhos da Quinta dos Termos – e dessa região – são conhecidos como vinhos de altitude. As vinhas estão plantadas numa altura entre os 350 e os 750 metros de altitude, tornando esta região vitivinícola na mais alta de Portugal. Segundo a Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), de forma muito simplista, altitude significa, sobretudo, acidez e frescura, um bem raro e precioso nas regiões de vinho mais afastadas do litoral.

A Quinta dos Termos é uma vinícola familiar, pertencente a família Carvalho, que já conta três gerações de dedicação à vitivinicultura. Sua história começou em 1945, quando Alexandre Carvalho, pai do atual administrador João Carvalho, adquiriu a quinta e começou a produzir vinhos que eram entregues nas Tabernas da região das Beiras.

Já conhecidos pela produção de vitivinícola, a família resolveu investir mais no espaço e, na década de 1990 começou um processo de renovação das vinhas, que durou até 2007, mas sem esquecer das históricas Vinhas Velhas da quinta que existem há cerca de 90 anos. Com as novas vinhas já produzindo, a Quinta dos Termos começou a ter uma produção de aproximadamente 15 mil garrafas por ano, fora a parte que era destinada à Adega Cooperativa local.

Na Quinta dos Termos, os barris são feitos de Carvalho francês e húngaro. Foto: Fábio Giacomelli

Hoje, com espaços renovados, tecnologia de ponta e profissionais capacitados, a Quinta dos Termos já é um destaque internacional. Sua produção circula 70% no mercado interno e 30% é destinado para exportação, sendo o Brasil um dos países que mais adquire seus produtos. Localizada em Belmonte, na localidade de Carvalhal Formoso, o espaço não deixa dúvidas da dedicação empregada. Basta desviar da N18-3, para dentro da propriedade que a imensidão de vinhas toma conta da paisagem e o cheiro das uvas prontas para serem colhidas – visitamos o espaço em dias de Vindima – seja o pontapé de partida para uma imersão no mundo dos vinhos.

Queremos que, durante o passeio, os visitantes interpretem a paisagem da Quinta dos Termos e conheçam por dentro o local onde fazemos os vinhos. Temos  uma filosofia de produção de porta aberta, isto é, apostamos em visitas e provas no local em que nós próprios trabalhamos. Quando chegamos à parte das provas, os turistas já não provam somente para avaliar a qualidade dos vinhos, mas sobretudo para perceber se representam o terroir em que nasceram. Isso é muito gratificante para nós, pois recebemos pessoas de todo o mundo e podemos mostrar-lhes o nosso dia-a-dia e discutir com eles os detalhes que fazem os vinhos ter identidade e ser tão diferentes entre si.

Pedro Carvalho, manager da Quinta dos Termos

Outro ponto de destaque durante o processo produtivo, é que na Quinta dos Termos não se usa químicos para tratar das vinhas, todo o processo é natural. Ideia que se repete nas novas quintas da família Carvalho, em Castelo Branco, também com produção Beira Interior e adquirida em 2015 e no Douro, num espaço adquirido em 2019. Nesses lugares, os rótulos não levam o nome da Quinta dos Termos mas, se um dia você cruzar por um Alto da Lousa ou um Alto do Pocinho, saiba que são produtos da família Quinta dos Termos.

Para os produtores, dedicar suas forças em todo o processo é o que vai trazer um resultado de qualidade a produção, por isso, na Quinta dos Termos, até o tamanho dos grãos das uvas é controlado para que a fruta não acumule água em excesso e diminua a concentração de taninos na matéria-prima. Com uma produção que se aproxima das sete toneladas por hectare, a vindima na Quinta dos Termos é feita de modo manual, para que toda a atenção necessária seja dedicada às uvas.

Localizada na Aldeia de Carvalhal Formoso, em Belmonte, a Quinta dos Termos fica a pouco mais de 20km da Covilhã. Foto: Fábio Giacomelli

Em dias de vindima, não há descanso na Quinta. As uvas, assim que colhidas e carregadas nos caminhões, já entram direto em produção. Passam por uma máquina que separa os grãos de uva dos cachos e depois tem dois destinos diferentes, consoante com a uva: as brancas, vão direto para extração do suco. As tintas repousam em cubas de inox para começar a fermentação. Tudo isso acontece nos meses de setembro e outubro. Depois, só em março é que o grupo de cinco enólogos da Quinta dos Termos parte para as primeiras análises sensoriais para encontrar as misturas que julgam necessárias – ou mesmo a definição de monocasta – para que os vinhos atinjam a maior qualidade possível.

O repouso em barris de carvalho húngaro e francês é obrigatório para todos os tintos e, na Quinta dos Termos, o Garrafeira Branco também recebe essa honraria. Permanecem por lá por, no mínimo, 9 meses quando, então, os primeiros vinhos começam a entrar nas fases finais de produção, engarrafamento, rotulagem para ir ao mercado. E as medalhas são recorrentes e em diversos concursos. O último grande destaque da Quinta dos Termos é o Testemunho, eleito um dos 30 melhores vinhos portugueses pela revista Grandes Escolhas.

O passeio termina, é claro, na mesa de degustação. Três rótulos de Quinta dos Termos são oferecidos aos visitantes que podem fechar o passeio da melhor forma possível com a certeza de que passaram por uma imersão completa ao mundo dos vinhos. Na hora da partida, impossível sair de mãos vazias. A Loja da Quinta dos Termos dispõe de mais de 20 diferentes vinhos produzidos no local para que o visitante leve para casa e ainda possa espalhar a história de cada um daqueles rótulos por ele escolhido.

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