Dica de Viagem: Alto Douro Vinhateiro em três dias

Depois de diversas mensagens que recebemos aqui nos comentários, no Instagram, Facebook e pelo contato@brasileirosnacovilha.com pedindo que compartilhássemos destinos portugueses ou, apenas algumas dicas de viagens, resolvemos criar uma coluna aqui no Blog para compartilhar alguns roteiros que nós já fizemos e que podem ajudá-los a montar um plano de viagem para uma escapadinha. Começamos pela última viagem que fizemos, ao Alto Douro Vinhateiro.

O Alto Douro Vinhateiro é uma localidade bastante representativa da paisagem portuguesa, que caracteriza a vasta Região Demarcada do Douro, a mais antiga região produtora de vinhos regulamentados do mundo, datada de 1756. Seus vinhos são famosos em todo o mundo, com destaque amplo para os tradicionais Vinhos do Porto. Mas, fugir dessa simplória definição, é o objetivo desta dica.

Durante os três dias que estivemos no Alto Douro Vinhateiro, passamos por Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião e Vila Real. Ficamos hospedados na vila de Santa Marta de Penaguião, mais especificamente na Cumieira, onde está a Quinta da Pousada. Um espaço de turismo rural riquíssimo, que preza pela sustentabilidade e é pet-friendly! A localização era entre o Peso da Régua e Vila Real, o que – de carro – nos proporcionou uma fácil locomoção.

Vinhas da Quinta da Pousada. Foto: Fábio Giacomelli

No primeiro dia optamos por conhecer a Quinta e a vila de Santa Marta de Penaguião. São 10 hectares de vinhas plantadas. Algumas delas históricas, com mais de 90 anos e que preservam a memória dos socalcos ainda no xisto. Há um pequeno rio que passa ao fundo da propriedade e é possível ir até ele, caminhando entre as vinhas e fazer todo o percurso dessa plantação nas montanhas. Na Vila, que fica rodeada de Montanhas com plantações de uva, há uma Vínicola – Caves de Santa Marta – onde se produz alguns vinhos medalhados. Porém, dessa vez, não fizemos a visita. Mas fica como uma dica extra para quem quiser. Na parte de alimentação, a Vila conta com dois pequenos mercados e algumas boas opções de refeição. Nós escolhemos comer no Restaurante Pelourinho, que conta com uma ampla variedade de pratos típicos de carne e peixe e também com Pratos do Dia, que deixam a refeição mais econômica. É um espaço muito agradável, a comida é farta e o preço convidativo.

Museu do Douro. Foto: Fábio Giacomelli

No segundo dia fomos a cidade de Peso da Régua, que é literalmente acompanhada pelo Douro na sua grandeza. No Peso da Régua é possível caminhar na rua Beira-Rio e aproveitar todos os espaços comerciais que estão no caminho. Dentre eles, destaque para o Museu do Douro que, em breve, vai ter um post exclusivo aqui no Blog. No Museu é possível conhecer toda a história da região, desde antes da demarcação oficial da área – em 1756 – e ter experiências sensoriais da produção do Vinho. O Museu conta, ainda, com espaços para exposições itinerantes e uma sala fixa dedicada a artista regional Armanda Passos.

Peso da Régua, por ser uma cidade, já tem uma estrutura bem grande, com diversos supermercados e opções turísticas, como os passeios de barco pelo Douro e gastronômicas, como o prato A Abóbora e o Queijo, concorrente das 7 maravilhas da nova gastronomia portuguesa.

Além disso conta com uma boa infraestrutura de hotéis e opções alimentares. As quintas e os miradouros, que sempre são locais de interesse de visitação, ficam um pouco afastados da zona central e, por isso, é necessário ter veículo para conhecer esses pontos.

No terceiro dia fomos até Vila Real, conhecer a Casa de Mateus, uma construção do século XVIII que hoje é um Centro Cultural de preservação da histórica local. Estão disponíveis para visitação roteiros pelos jardins, casa e a capela, divididos em três opções. Apenas jardins, jardins e casa e o tour completo pelo jardim, casa e capela. As duas últimas opções devem ser agendadas para ter garantia de que haja lugares para a visita guiada. Dentre as obras de relevância que estão no espólio da Casa de Mateus é possível destacar a primeira edição ilustrada de Os Lusíadas, de Luís de Camões, um livro sobre o Tratado de Tordesilhas e imagens históricas como a do primeiro Conde de Vila Real.

Casa de Mateus, centro cultural em Vila Real. Foto: Fábio Giacomelli

Antes de voltarmos à Quinta da Pousada, fomos até São Leonardo de Galafura, onde há um dos melhores miradouros para enxergar o Douro na sua magnitude. Suas curvas, acompanhadas por grandes montes com vinhas, no fim do dia, com o sol já baixando, deixam a certeza do nome escolhido para o Rio: Douro, de dourado, devido aos raios de sol nele batem ao cair do dia.

Há quem diga que ninguém descreveu também a vista do Miradouro como Miguel Torga, que disse:

O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser á força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a refletir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A Beleza absoluta.

Miradouro de São Leonardo da Galafura. Foto: Fábio Giacomelli

Dica Extra

As pessoas com quem conversamos também recomendaram uma escapada até Lamego, onde a Catedral e o Santuário da Nossa Senhora dos Remédios reservam espaços excelentes para fotografias e mais uma imersão na história local. Porém, para nós, vai ficar para a próxima visita. Mas, fica aqui uma outra opção para somar ao seu roteiro pelo Alto Douro Vinhateiro.

Tem interesse em algum lugar específico e quer que nós contemos nas Dicas de Viagem? Escreva para contato@brasileirosnacovilha.com que, se já estivermos visitado, vamos compartilhar nossas experiências e, caso ainda não esteja nessa lista, vamos inserir o destino em nossos próximos roteiros!

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