Tunas: conheça um dos costumes acadêmicos portugueses

Logo que se chega a Portugal, especialmente durante o ano letivo das universidades, é comum encontrar pelas ruas das cidades grupos de estudantes com trajes pretos e instrumentos musicais, cantos e coreografias. São uma característica marcante da vida acadêmica portuguesa, tratam-se das tunas.

Originalmente, as primeiras tunas apareceram na Espanha no século XIX, mas não no formato como são conhecidas hoje. Os estudantes espanhóis da época se reuniam em grupos durante o carnaval e saíam pelas ruas “a correr la tuna”, expressão que se refere às apresentações feitas pelos estudantes em troca de donativos para que pudessem terminar a universidade.

É pela proximidade com a Espanha, em um período social, político e econômico conturbado que reforçava um sentimento de união entre os países da Península Ibérica, que no final do século XIX, no ano de 1888, surge a primeira tuna portuguesa em Coimbra. Na época, a tuna era formada não apenas por estudantes universitários, mas do liceu e por pessoas da comunidade. Recebeu o nome de Estudantina de Coimbra, porém, em 1894 encerra suas atividades e é criada a Tuna Acadêmica da Universidade de Coimbra, desta vez formada apenas por universitários. 

Estudantina Académica de Coimbra – 1888
Fonte: QVID TUNAE? A Tuna Estudantil em Portugal (2012)

Dos anos 1880 a 1930 acontece a primeira explosão na formação de tunas tanto em Portugal quanto na Espanha. No entanto, a partir dos anos 1930 até os anos 1970 os países passam por um período sombrio na política caracterizado pelo Estado Novo em Portugal (1933-1974), uma fase ditatorial que dificultava a existência das tunas, enquanto a Espanha enfrentava uma situação semelhante com a Ditadura Franquista (1939-1975). Além do cenário local, a nível mundial nesse mesmo período se observou a II Guerra Mundial, a Guerra Civil na Espanha e a Guerra Colonial entre Portugal e suas antigas colônias na África, que levou muitos jovens a morte. 

Com o fim das ditaduras em Portugal e na Espanha nos anos 1970, ocorre uma nova explosão na criação de tunas acadêmicas, especificamente entre os anos de 1982 e 1995. Se no princípio, as tunas eram na sua maioria masculinas, a partir dos anos 1980 ganham força os grupos femininos e mistos. Um curiosidade é que a Universidade da Beira Interior possui a tuna feminina mais antiga ainda existente no país. A Tuna Feminina da Associação Acadêmica da Universidade da Beira Interior – As Moçoilas, foi fundada em 1989 e realiza apresentações e festivais até hoje na cidade da Covilhã. 

As tunas possuem características marcantes como o traje, formado pela capa e batina que correspondem à vestimenta universitária oficial; a utilização dos mais variados instrumentos como bandolim, guitarra portuguesa, contra baixo, violino, acordeon, flautas, pandeireta, triângulo, entre outros. Quanto ao repertório, as tunas podem apresentar adaptações de músicas existentes ou ainda canções originais. 
De acordo com Census Tunae divulgado pelo portal portugaltunas.com em 2019, existem 154 tunas no país. A Universidade da Beira Interior possui seis tunas, sendo três femininas e três masculinas.

Femininas
As Moçoilas – Tuna Feminina da Universidade da Beira Interior 
C’Atuna aos Saltos – Tuna Médica Feminina da UBI
EncantaTuna – Tuna Feminina da Universidade da Beira Interior

Masculinas
Desertuna – Tuna Académica da Universidade da Beira Interior
Ja b’UBI & tokuskopus – Tuna Masculina da Associação Académica da UBI
Tuna-Mus – Tuna Médica da UBI


O olhar da DESERTUNA sobre a Covilhã

A tuna masculina Desertuna lançou neste sábado, dia 10, sua nova música de composição e arranjo original intitulada “Covilhã”. Com um vídeo clipe oficial que mostra os principais pontos da cidade, a tuna homenageia o município onde passam a vida universitária. 

A Desertuna foi fundada em 2002, e já contou, ao longo dos seus 17 anos, com 140 estudantes dos mais variados cursos da UBI. Esse é, inclusive, um dos principais requisitos para participar da tuna, ser estudante da UBI. Fora isso, “basta gostar de música”, como refere André Miranda, um dos membros da Desertuna. Embora muitos dos elementos da tuna saibam tocar instrumentos, outros aprendem quando decidem se juntar ao grupo.

Veja o vídeo clipe oficial:

Fontes:
Census Tunae 2019/2020 – portugaltunas.com
QVID TUNAE? A Tuna estudantil em Portugal (Eduardo Coelho, Jean Pierre Silva, João Paulo Sousa e Ricardo Tavares) 2012
QVOT TVNAS? Censo de Tunas Acadêmicas em Portugal 1983-2016 (Jean Pierre Silva e Eduardo Coelho) 2019

3 Comentários

  1. DESERTUNA…Tuna de muitos encantos que leva a nossa Universidade da Beira Interior e bela cidade da Covilhã a todo o mundo. Por onde passa deixa um rasto de rara beleza, encanto, alegria e magia.
    Dede sempre Tuna dos meus encantos…hoje mais do que nunca.

  2. A 1.ª tuna portuguesa não surge em Coimbra em 1888. Já havia tunas.
    Não existem 154 tunas em Portugal. O Census tunae referido baseia-se apenas em tunas que quiseram participar no censo. Não é o mesmo que o total de tunas de facto existentes.
    A Estudantina de Coimbra não acaba em 1894, mas antes. Em 1894 nasce, sim, a TAUC.

    Cuidado em ler bens as fontes, para não as distorcer.

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