Dica de Saúde: o que acontece durante a pandemia?

Por Letícia Esteves, da Farmácia da Mutualista Covilhanense

O Estado de Emergência vigente desde o dia 18 de março e válido até 02 de maio é um regime excepcional, previsto na Constituição, que significa que alguns direitos ficam suspensos, com a exclusiva finalidade de adotar as medidas necessárias para a proteção da saúde pública, no contexto da pandemia COVID-19.  Em Portugal, vive-se atualemnte a fase de mitigação da doença, que significa que a transmissão do coronavírus já acontece na comunidade, e não apenas através de casos importados.

Para o Primeiro-Ministro, António Costa, no final de abril o Governo estará em condições de dar à sociedade portuguesa um calendário do desconfinamento” que  terá como base experiências de outros países que já iniciaram esta fase e reuniões com especialistas. Contudo, é importante não nos esquecermos que as medidas de higiene social e a distância de segurança vão ser ainda mais importantes nesta fase, pois se o número de infectados voltar a aumentar haverá um retrocesso.

Assim, o desconfinamento será faseado, com uma cadência de 15 dias, tendo em conta o período de sintomas, progredindo de setor em setor e de forma a evitar aglomerações. Durante esta fase teremos que reaprender a sair de casa e conviver com os outros. Todas as medidas de higiene e segurança serão mais apertadas e os locais como restaurantes e transportes públicos terão novas regras para proteger a população.

Como posso me proteger?

Máscaras: Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso de máscaras deve ser feito de forma consciente. Pois mesmo que provada a eficácia das máscaras no combate à disseminação de vírus, o uso das mesmas, pela população, pode criar uma falsa sensação de segurança. Há uma recomendação na informação nº 009/2020 que apoia-se no Princípio da Precaução em Saúde Pública, para que se considere o uso de máscaras por todas as pessoas que permaneçam em espaços interiores fechados com múltiplas pessoas (supermercados, farmácias, lojas ou estabelecimentos comerciais, transportes públicos, etc), como medida de proteção adicional ao distanciamento social, à higiene das mãos e à etiqueta respiratória.

  1. Antes de colocar uma máscara, lave as mãos com solução alcoólica ou água e sabão;
  2. Cubra a boca e o nariz com a máscara e verifique se não há espaços entre o rosto e a máscara.

Evite tocar na máscara enquanto a estiver a usar; se o fizer, limpe as mãos com uma solução com base alcoólica ou água e sabão.

  • Substitua a máscara por uma nova assim que estiver húmida e não reutilize máscaras de uso único.
  • Para remover a máscara: remova-a por trás (não toque na frente da máscara); descartar imediatamente num contentor fechado; lave as mãos novamente.

O que mudou nos hábitos de consumo em Portugal?

As vendas no mercado dos Bens de Grande Consumo em Portugal cresceram 65% em comparação com o período homólogo, tendo sido registado um maior impacto nos bens alimentares básicos de longa duração e nos produtos de cuidado do lar e higiene pessoal.

De acordo com a divisão acima, as duas primeiras etapas estão relacionadas com a saúde. A primeira correspondeu à corrida às farmácias e locais de venda de produtos de saúde, com o objetivo de adquirir medicação para o tratamento sintomático dos sintomas divulgados. A segunda esteve mais relacionada com gestão da saúde, na medida em que se compraram produtos mais específicos para a situação (como desinfetantes, luvas e máscaras).

            Nas etapas três e quatro, existiu uma maior compra de bens alimentares, para que a despensa conseguisse manter-se cheia na quarentena. Exemplos do salto da procura: conservas (+42%), produtos ricos em vitamina C (Kiwi +39%, Laranja +37%, Tangerina/Clementina +37%) e produtos básicos (+36%).

            A quinta etapa corresponde ao período pós-declaração do estado de emergência, onde a população restringiu as suas saídas à rua. Nesta etapa o modo de consumo tornou-se mais económico e racional. Existiu um aumento nos produtos como snacks, bebidas e alguns produtos de beleza.

            Por fim, encontra-se a etapa seis, que ainda não se iniciou, que diz respeito ao conceito de viver uma nova normalidade.  

Educação

Como medida preventiva à propagação do vírus responsável pela pandemia que estamos a viver os estabelecimentos de ensino foram encerrados, contudo o ano letivo ainda não terminou.

Neste momento, em Portugal e em muitos outros países do mundo, a educação está a ser feita via online por tempo indeterminado. Alguns países já tinham passado por situações semelhantes causadas por catástrofes como o furacão Katrina em 2005 ou o surto de SARS que ocorreu entre 2002 e 2003. Em todas estas calamidades o ensino à distância apresentou-se como a solução para dar continuidade às atividades letivas. Com o propósito de garantir o sucesso da continuação do ano letivo, foram feitos investimentos em plataformas de eLearning e na formação docente.

Há, ainda, o apoio dos canais da RTP para que quem não tenha acesso facilitado à Internet possa acompanhar os conteúdos pela emissora pública de televisão.

Máscara-19

O número de casos de violência doméstica e de género aumentou com o confinamento imposto pela pandemia COVID-19. Este problema é particularmente visível no caso das mulheres que ficam obrigadas a conviver com os seus agressores sem poderem recorrer, de forma segura, às suas relações sociais que poderiam facilitar a denúncia do caso.

Com o objetivo de ajudar as vítimas, foi implementada uma iniciativa na Espanha, agora replicada em Portugal que consiste na divulgação de uma palavra de código “máscara-19”, como forma de alertar o farmacêutico de que a pessoa que faz esse pedido corre perigo e necessita de ajuda.

Assim, qualquer pessoa que se encontre numa situação de perigo para a sua integridade física, poderá ir até à farmácia e solicitar este “medicamento/produto” ao farmacêutico. “Máscara-19” funciona como um palavra-código para que o farmacêutico faça uma chamada para o 112 e se ative, assim, o protocolo de apoio à vítima de violência doméstica e/ou de gênero.

Novos projetos na Covilhã

A pandemia de COVID-19 tem levado à criação de novos projetos que têm como objetivo ajudar no que for possível ao combate desta doença. A AAUBI, Associação Acadêmica da Universidade da Beira Interior, em colaboração com várias entidades, lançou um fundo de apoio (crowdfunding), com o nome “Fazer Mais Por Todos”, que tem como objetivo a aquisição de máscaras para os Centros Hospitalares da Região Centro. 

A WD Retail, em articulação com a Black Sheep Ratail Products, com o Centro Hospitalar e Universitário da Cova da Beira, e a Faculdade de Ciências da Saúde, criaram um modelo de viseira de que estão a ser feitos os moldes para iniciar a produção. Para além da colaboração nas viseiras, a Faculdade de Ciências da Saúde está ainda a produzir álcool em gel nas instalações do Centro de Investigação de Ciências da Saúde (CICS-UBI).

Outras ações de alunos da UBI como a aplicação do que está aberto e o respirador de baixo custo são estudos fundamentais e que podem ajudar a mitigar a pandemia do COIVD-19.

Progressos em busca da cura

À medida que o novo coronavírus SARS-CoV-2 se espalha em todo o mundo, o  foco dos cientistas é desenvolver uma vacina para conter a infecção. Geralmente, o tempo necessário para desenvolver uma nova vacina comprovadamente segura é de 15 a 20 anos. Contudo, dada a urgência de desenvolver a vacina para a COVID-19, os investigadores da Mordena Inc anunciaram que estavam a planear conduzir ensaios não-clínicos em paralelo com ensaios clínicos.

Durante anos, os vacinologistas trabalharam em vacinas em estado inicial para patogênicos “protótipo”, preparando-se para o próximo surto. A família de vírus Coronaviridae compartilha grandes quantidades de material genético com o SARS-CoV-2, compartilhando entre 80 e 90% do DNA com o vírus que causou o surto de SARS em 2002, SARS-CoV – daí o nome. Isto significa que os profissionais que desenvolvem vacinas já possuíam um conjunto de vacinas semidesenvolvidas que poderiam adaptar ao último membro da família; um método exemplificado pela empresa de vacinas Novavax (MD, EUA) que anunciou que, utilizando a tecnologia desenvolvida para os surtos de SARS e MERS, estão a desenvolver uma vacina para a COVID-19 que esperam testar em humanos até ao final da primavera de 2020.

Num estudo publicado em fevereiro, investigadores do Instituto de Virologia e Instituto de Farmacologia de Pequim avaliaram um conjunto de antivirais aprovados pela FDA para ver se eles poderiam ser utilizados contra o SARS-CoV-2. Foi então  descoberto que o remdesivir, desenvolvido inicialmente para tratar o Ébola, e a cloroquina, um antimalárico, foram capazes de inibir a SARS-CoV-2. Visto que ambos já foram aprovados para uso humano, os ensaios clínicos para uso no tratamento da COVID-19 foram logo iniciados.

Um estudo feito por  Andersen et al. analisou 120 agentes antivirais previamente provados como seguros no homem, encontrando 31 com aplicações potenciais para o tratamento de COVID-19. Outra estratégia incluiu o desenvolvimento de novas terapias combinadas; antivirais de amplo espectro demonstraram uma atividade fraca quando usados sozinhos, enquanto os tratamentos combinados esperam tirar proveito da ação conjunta dos antivirais.

Foi ainda ativado o projeto R&D Blueprint, criado em 2016 pela OMS com o objetivo de acelerar a disponibilidade de testes, vacinas e medicamentos eficazes que podem ser usados ​​para salvar vidas e evitar crises em larga escala. Neste projeto, as diferentes vacinas candidatas podem entrar em ensaios em momentos diferentes, e para cada vacina candidata, são esperados resultados dentro de 3-6 meses após a entrada da vacina no estudo. O estudo incluirá de forma aleatória um número muito grande de adultos de populações diferentes e cada participante será contactado semanalmente para obter informações sobre se surgiram sintomas potencialmente relevantes. É também usado um grupo placebo/controlo compartilhado  e um protocolo Core comum para a avaliação. Até ao dia 23 de abril de 2020, segundo dados da OMS, estavam 6 vacinas candidatas em avaliação clínica e 77 em avaliação pré-clínica.

A Dica de Saúde do blog Brasileiros na Covilhã é uma coluna mensal, sob responsabilidade dos profissionais da Farmácia da Mutualista Covilhanense. Conheça mais sobre os serviços da Mutualista neste link ou no telefone 275 310 870.

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