terça-feira, 21 de maio de 2019

Pesquisadora brasileira da UBI recebe premiação internacional na Alemanha

Quando se mudou do Brasil para a Covilhã, em 2010, Caroline Loss trazia consigo apenas a certeza de ter escolhido um curso de mestrado na Universidade da Beira Interior, onde havia se encantado com as disciplinas. Aqui tornou-se mestra, doutora e segue na Covilhã e na UBI em seu pós-doutorado. 

“Após estudar sobre a cidade e ver que ela foi o berço da indústria de lanifícios e que tudo aqui fazia referência aos têxteis, tive a certeza que esse era o lugar que eu estava à procura. Mudei para a Covilhã em 2010 só para fazer o mestrado, mas quase nove anos depois continuo aqui!” 

Na última semana, viu seu projeto de doutorado, que revela ser fruto da evolução da investigação e da troca de ideias entre várias pessoas, ser premiado pela Techtextil, que distingue o que de melhor se faz no âmbito do desenvolvimento de têxteis tecnológicos. O projeto intitula-se E-Caption 2.0 — Smart and Safe Coat.

Trata-se de um equipamento de proteção pessoal que alerta sobre a exposição aos níveis de radiação eletromagnética e possuí blindagem de rádio frequência. Caroline ressalta que para chegar ao produto premiado, trabalhou em conjunto com uma equipe multidisciplinar, formada pelos orientadores da pesquisa, professores Rita Salvado (UBI) e Pedro Pinho (ISEL), por Daniel Belo (Instituto de Telecomunicações Aveiro) e ainda, com o auxílio de Ricardo Gonçalves (IT-Aveiro) e Catarina Lopes (UBI). 

A ideia do produto surge de uma inquietação de Caroline. Após trabalhar no projeto PROENERGY (UBI e IT Covilhã e Aveiro), que tinha como objetivo o desenvolvimento de antenas têxteis para recolha de energia eletromagnética, sentiu que precisava desenvolver algo a mais dentro dessa área. Então aí surge a ideia do E-Caption. 

“A primeira versão do casaco que foi criada levava uma antena têxtil, mas o circuito de conversão de energia era feito em substrato rígido (PCB). Depois de ver que a ideia do casaco funcionava, começamos a trabalhar para melhorá-lo. Ainda no doutoramento, fizemos uma parceira com a Borgstena Textile Portugal para o desenvolvimento de um novo tecido que nos permitisse visar a industrialização do casaco.”

Caroline Loss e Profª Rita Salvado. | Divulgação/Portugal Têxtil
Quando o produto final foi posto a prova, a felicidade de Caroline e da equipe de trabalho foi muito grande. E agora há a expectativa para que a ideia possa, em breve, estar no mercado. Segundo a pesquisadora, todos ganham quando o conhecimento sai da Universidade e chega a população, em geral. Foi a primeira vez que Portugal foi distinguido nessa que é uma das principais premiações ao nível mundial da área. E Caroline ressalta que foram logo três prêmios, dos sete disponíveis. 

“O nosso prêmio foi na categoria de Novas Aplicações. Além disso, Portugal também venceu nas categorias Novos Produtos (Cork.a Tex-Yarn — Têxteis Penedo, Sedacor, Citeve e FEUP) e Soluções Sustentáveis (Picasso – Tintex, Citeve, Centi e Ervital), o que demonstra que todo o esforço que tem sido feito ao longo das últimas décadas para reerguer a indústria têxtil do país têm tido resultado."

Porém, dentre os trabalhos galardoados, o único que começou na Universidade, foi o de Caroline, que, atualmente trabalha no desenvolvimento de antenas têxteis para bio-radar, no projeto Texboost – Less Comodities More Specialities, mas sem esquecer do casaco premiado. “É uma investigação que ainda está em curso, onde pretendemos levar a tecnologia de transferência de potência sem fios, aplicada no casaco de proteção, para o vestuário comum a fim alimentar pequenos dispositivos eletrônicos.”

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