quinta-feira, 10 de maio de 2018

Os rostos da indústria têxtil no evento Tece-Lãs – Linhas a Tecer Histórias

A Manchester portuguesa, assim era conhecida a cidade da Covilhã. Um dos maiores polos da indústria têxtil de Portugal e da Europa, as ruas do município ainda hoje abrigam prédios, alguns já em ruínas, que há 800 anos recebem centenas de trabalhadores da indústria da lã.

Foi, justamente, no prédio de uma antiga fábrica de lanifícios que aconteceu, nessa quinta-feira (10), o evento Tece-Lãs – Linhas a Tecer História. Uma atividade organizada pelos alunos do 3º ano do curso de Ciências da Cultura da Universidade da Beira Interior através da disciplina de Assessoria e Comunicação Cultural.

No salão que há alguns anos costumava ecoar o barulho das máquinas, nessa quinta-feira pôde-se ouvir o quarteto de sopros do Conservatório de Música da Covilhã, que deu início ao evento.

O trabalho infantil e o papel da mulher na indústria da lã foram os temas que nortearam a atividade e a Tertúlia na qual participaram ex-trabalhadores da indústria têxtil. Francisco Afonso, proprietário do prédio da Antiga Fábrica António Estrela, foi também operário da fábrica que pertencia ao seu pai. Trabalha desde os 11 anos e atualmente transformou parte do edifício da fábrica no espaço New Hand Lab, onde aconteceu o Tece-Lãs.

“Filho de operário, operário há de ser.”


Luzia Mendes revelou histórias durante a Tertúlia
A frase acima foi dita por Luís Garra, presidente da direção do Sindicato Têxtil da Beira Baixa e antigo trabalhador das fábricas de lanifício, durante a tertúlia. Filho de operário, começou a trabalhar na indústria têxtil aos 11 anos de idade. Algo comum na época, por volta dos anos 1960 e 1970, em que parte da mão de obra das fábricas era formada por crianças.

“Era a vontade de nossas mães” comenta Luzia Mendes, hoje com 73 anos e operária aposentada. Trabalhou desde os 14 anos nas fábricas da Covilhã para ajudar no sustento da família. Luzia conta que os salários eram muito baixos, o que obrigava as crianças a trabalharem para ajudar os pais. 

Além disso, as mulheres ainda precisavam enfrentar a disparidade de salários em relação aos homens.

Exibição do curta-metragem Trama, de Luísa Soares
O papel das mulheres na fábricas de lanifícios também foi destacado no curta-metragem Trama, de Luísa Soares, exibido após a tertúlia. Com narrativas de diversas gerações de trabalhadoras da indústria têxtil.

Para encerrar o evento, foi lançado o cartaz de 2018 do Wool – Festival de Arte Urbana da Covilhã. Na edição deste ano, que ocorre entre os dias 2 e 10 de junho, são quatro os artistas que farão intervenções em alguns edifícios da cidade, entre eles Pastel (Argentina) e Draw (Portugal).


Veja a cobertura fotográfica do evento em nossa página do Facebook

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